Por Grupo Soma Contabilidade • 30/09/2026
A Reforma Tributária não é um projeto do departamento fiscal. Para empresas com faturamento relevante, ela cruza comercial, compras, financeiro, tecnologia, jurídico e diretoria. Em 2026, o trabalho mais útil é transformar a legislação em perguntas de negócio: o preço ainda sustenta a margem? os fornecedores geram créditos adequados? o ERP registra as informações necessárias? os contratos permitem repassar mudanças? o caixa suporta novas dinâmicas de recolhimento? Um plano de 90 dias ajuda a sair do debate abstrato e construir decisões.
Dias 1 a 15: organize a base real da empresa
Comece por receitas, compras, serviços contratados, principais fornecedores, clientes, NCM/NBS quando aplicável, regimes, filiais, contratos e sistemas. Sem base confiável, qualquer simulação vira uma planilha bonita sem capacidade de orientar decisão. O objetivo dessa fase é identificar onde estão as maiores concentrações de faturamento, custos e créditos potenciais.
Dias 16 a 30: simule cenários de preço e crédito
A empresa precisa entender o efeito combinado de débito, crédito, cadeia e perfil de cliente. Um negócio B2B pode ter preocupações diferentes de um negócio voltado ao consumidor final. Teste produtos, serviços e linhas representativas, em vez de tentar começar por milhares de itens. O importante é descobrir quais grupos merecem análise aprofundada.
Dias 31 a 45: revise contratos e políticas comerciais
Contratos de longo prazo, reajustes, preço líquido, repasse de tributos, descontos e bonificações podem precisar de revisão. Comercial e jurídico devem participar. A Reforma Tributária não pode ser tratada como evento que o fiscal “resolve depois” se a empresa já assinou condições que comprimem margem.
Dias 46 a 60: teste ERP, cadastros e documentos
Mapeie campos necessários, classificação de produtos e serviços, integrações, emissão de documentos fiscais e regras de apuração. Faça testes antes do momento obrigatório. Erros de cadastro tendem a se multiplicar em escala e podem afetar crédito, preço e conciliação. Tecnologia precisa entrar no cronograma com o mesmo peso de tributário.
Dias 61 a 75: projete impacto no caixa
Mesmo quando o efeito econômico parece neutro no papel, o momento de pagar e receber pode mudar o capital de giro. Simule prazos de clientes, fornecedores, estoque, financiamento e tributos. Esse exercício é essencial para negócios com margens apertadas, vendas parceladas ou ciclo financeiro longo.
Dias 76 a 90: transforme achados em decisões
A diretoria precisa receber uma lista de decisões, não apenas um relatório técnico. O que muda no preço? quais contratos precisam ser renegociados? quais fornecedores merecem revisão? quais ajustes de ERP têm prazo? qual cenário de caixa exige crédito ou reserva? quais áreas são responsáveis? A reunião final deve gerar plano de ação, datas e responsáveis.
Simples Nacional também exige escolha consciente
Em 2026, a regulamentação passou a prever escolhas específicas para 2027, inclusive a possibilidade de empresas optantes pelo Simples recolherem IBS e CBS pelo regime regular. Os prazos foram ajustados no fim de setembro. Por isso, qualquer artigo ou decisão deve conferir a orientação oficial mais recente antes de executar a opção. O ponto estratégico é que essa escolha pode afetar crédito para clientes e competitividade em cadeias B2B.
O papel da contabilidade é conectar regra e operação
A empresa não precisa de uma tradução genérica da lei; precisa saber como a regra encontra o seu mix de receita, fornecedores, contratos, sistemas e caixa. O Grupo Soma trabalha a Reforma Tributária como projeto de gestão, combinando tributário, contabilidade, financeiro e DPR para que a direção tenha cenários comparáveis antes de decidir.
9. Perguntas para levar à reunião de diagnóstico
Antes da reunião, reúna faturamento dos últimos doze meses, regime atual, quantidade de CNPJs, número de colaboradores, principais bancos, ERP, rotina de fechamento e a decisão que a empresa precisa tomar. Leve também os três problemas que mais consomem tempo da diretoria e os relatórios que hoje existem. Pergunte quais dados serão necessários, qual será o prazo da primeira análise, quem responde tecnicamente, como os achados serão documentados e quais entregas estão incluídas. Para uma empresa com faturamento acima de R$ 200 mil por mês, essa preparação ajuda a separar uma reunião comercial genérica de um diagnóstico que realmente consegue apontar riscos, prioridades e próximos passos.
10. O que deve existir depois do diagnóstico
Uma análise profissional precisa terminar com algo que a empresa consiga executar. Isso significa registrar os fatos encontrados, separar urgência de oportunidade, indicar quais dados ainda precisam ser confirmados, definir responsáveis e colocar as decisões em uma ordem lógica. Quando existe impacto tributário, financeiro ou societário, a recomendação também precisa apontar a base utilizada e as limitações da análise. A diretoria não precisa receber um documento cheio de termos técnicos; precisa saber o que muda, por que muda, qual é o risco de não agir, quanto tempo existe para decidir e qual informação será usada para acompanhar o resultado. Esse padrão de entrega reduz improviso e permite que a contabilidade deixe de ser apenas uma rotina de conformidade e passe a participar de decisões maiores com responsabilidade. Para empresas em crescimento, também é importante definir como o resultado será acompanhado nos meses seguintes. Uma recomendação só demonstra valor quando existe indicador, responsável e data de revisão. Esse acompanhamento evita que o diagnóstico vire um documento esquecido e cria uma rotina de gestão capaz de mostrar se a decisão funcionou, se o cenário mudou ou se novas medidas precisam ser tomadas.

