Por Grupo Soma Contabilidade • 30/09/2026
A escolha sobre IBS e CBS para empresas do Simples Nacional é uma decisão de negócio, não apenas de guia. A Receita Federal passou a orientar dois procedimentos distintos: o ingresso ou permanência no Simples e a escolha, para empresas optantes, de manter IBS/CBS dentro do regime ou recolhê-los pelo regime regular. Os prazos foram ajustados no fim de setembro de 2026, o que reforça a necessidade de consultar sempre a orientação oficial vigente antes de executar qualquer opção.
Entenda primeiro se seus clientes usam crédito
Empresas que vendem para outras pessoas jurídicas precisam avaliar se a forma de recolhimento influencia a atratividade comercial ou a cadeia de créditos. Em negócios B2C, o peso dessa variável pode ser diferente. Não existe resposta universal sem analisar o perfil de cliente.
Compare efeito tributário com preço e margem
A opção não deve ser comparada apenas pela alíquota aparente. Simule preço de venda, créditos de compras e serviços, margem e eventual necessidade de reajuste. Uma escolha aparentemente mais barata pode gerar perda comercial; outra aparentemente mais cara pode melhorar posição na cadeia. O cenário completo é que importa.
Revise fornecedores
A estrutura de compras influencia créditos e custo. Liste os fornecedores que representam maior volume e entenda como a transição deles pode afetar sua empresa. O objetivo é descobrir concentração de risco, não analisar cada nota isoladamente no primeiro momento.
Considere a capacidade operacional
Regime regular pode exigir rotinas, sistemas e controles diferentes. A empresa precisa avaliar se ERP, cadastro, emissão, conciliação e equipe estão preparados. Ganho tributário teórico pode desaparecer se a execução gerar erro, retrabalho ou custo operacional desproporcional.
Projete o primeiro semestre e o segundo
A regulamentação cria janelas de opção e efeitos por período. Por isso, construa cenários para 2027 considerando a possibilidade de decisões em momentos diferentes. O planejamento deve registrar premissas e data da informação utilizada.
Não deixe a escolha para o último dia
Em setembro de 2026, os prazos foram alterados pela Resolução CGSN nº 194, e a Receita Federal publicou orientação atualizada. Empresas que dependem de simulação, regularização ou validação cadastral precisam começar antes do vencimento. A decisão envolve dados de negócio que não aparecem prontos no portal.
Leve a análise para comercial e compras
Se a escolha muda crédito para clientes ou fornecedores, comercial e compras precisam participar. Não é uma decisão exclusiva da contabilidade. A diretoria deve entender impacto econômico, competitivo e operacional.
Registre por que a empresa decidiu
Crie uma memória de cálculo com cenários, premissas, fontes e participantes. Isso melhora governança e permite revisar a escolha quando a operação mudar. O Grupo Soma trata esse tipo de decisão como projeto, com dados, responsáveis e reunião executiva.
9. Perguntas para levar à reunião de diagnóstico
Antes da reunião, reúna faturamento dos últimos doze meses, regime atual, quantidade de CNPJs, número de colaboradores, principais bancos, ERP, rotina de fechamento e a decisão que a empresa precisa tomar. Leve também os três problemas que mais consomem tempo da diretoria e os relatórios que hoje existem. Pergunte quais dados serão necessários, qual será o prazo da primeira análise, quem responde tecnicamente, como os achados serão documentados e quais entregas estão incluídas. Para uma empresa com faturamento acima de R$ 200 mil por mês, essa preparação ajuda a separar uma reunião comercial genérica de um diagnóstico que realmente consegue apontar riscos, prioridades e próximos passos.
10. O que deve existir depois do diagnóstico
Uma análise profissional precisa terminar com algo que a empresa consiga executar. Isso significa registrar os fatos encontrados, separar urgência de oportunidade, indicar quais dados ainda precisam ser confirmados, definir responsáveis e colocar as decisões em uma ordem lógica. Quando existe impacto tributário, financeiro ou societário, a recomendação também precisa apontar a base utilizada e as limitações da análise. A diretoria não precisa receber um documento cheio de termos técnicos; precisa saber o que muda, por que muda, qual é o risco de não agir, quanto tempo existe para decidir e qual informação será usada para acompanhar o resultado. Esse padrão de entrega reduz improviso e permite que a contabilidade deixe de ser apenas uma rotina de conformidade e passe a participar de decisões maiores com responsabilidade. Para empresas em crescimento, também é importante definir como o resultado será acompanhado nos meses seguintes. Uma recomendação só demonstra valor quando existe indicador, responsável e data de revisão. Esse acompanhamento evita que o diagnóstico vire um documento esquecido e cria uma rotina de gestão capaz de mostrar se a decisão funcionou, se o cenário mudou ou se novas medidas precisam ser tomadas.

