Reforma Tributária

Split Payment: o imposto será descontado na hora da venda e vai mexer no seu caixa

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou em julho a nova etapa do split payment, o sistema que vai separar automaticamente a parcela do imposto no momento do pagamento, antes mesmo de o dinheiro chegar à conta da empresa. Segundo o ministro, o volume de operações processadas será 170 vezes maior que o do Pix, o que dá a dimensão da mudança. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS já publicaram a documentação técnica da plataforma, com o manual de integração que bancos, fintechs, adquirentes de cartão e demais empresas de pagamento usarão para preparar seus sistemas.

O impacto mais sensível será no fluxo de caixa. Hoje, o valor do imposto entra na conta da empresa junto com a venda e só é recolhido depois, no vencimento da guia. Com o split payment, esse intervalo desaparece: a empresa passa a receber o valor líquido, já descontado o tributo. Negócios que recebem por cartão e Pix, como bares, restaurantes e clínicas, e empresas que vendem parcelado sentirão a diferença com mais intensidade e precisam recalcular capital de giro, prazos de recebimento e precificação.

O cronograma dá tempo para se preparar. O ano de 2026 é de testes, sem cobrança real, e o próprio ministro afirmou que este "não é um ano de punição, é um ano de aprendizado". A implementação efetiva começa em 2027, de forma facultativa e por etapas, priorizando transações entre empresas e pagamentos via Pix e débito. A recomendação é aproveitar o período de transição para simular o impacto no caixa e ajustar o planejamento financeiro.

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